22.5.14

Para organizar o passeio público, a Prefeitura definiu um novo padrão
arquitetônico que divide as calçadas em faixas. As calçadas com até
2 metros de largura serão divididas em 02 faixas diferenciadas por textura
ou cor e as com mais de 2,00 metros, em 03 faixas, também diferenciadas,
como mostra a ilustração abaixo.

 Como são as 03 faixas?
1ª Faixa de serviço
Destinada à colocação de árvores, rampas de acesso para veículos ou
portadores de deficiências, poste de iluminação, sinalização de trânsito
e mobiliário urbano como bancos, floreiras, telefones, caixa de correio e
lixeiras.
2ª Faixa livre
A faixa livre é destinada exclusivamente à circulação de pedestres, portanto
deve estar livre de quaisquer desníveis, obstáculos físicos, temporários ou
permanente ou vegetação. Deve atender as seguintes características:
• possuir superfície regular, firme, contínua e antiderrapante sob qualquer
condição;
• possuir largura mínima de 1,20m (um metro e vinte centímetros);
• ser contínua, sem qualquer emenda, reparo ou fissura. Portanto, em
qualquer intervenção o piso deve ser reparado em toda a sua largura
seguindo o modelo original.
3ª Faixa de acesso
Área em frente ao seu imóvel ou terreno, onde pode estar a vegetação,
rampas, toldos, propaganda e mobiliário móvel como mesas de bar e
floreiras, desde que não impeçam o acesso aos imóveis. É portanto uma
faixa de apoio à sua propriedade.

A Vegetação
As calçadas verdes
Nas ruas onde não ocorre um fluxo muito grande de pedestres as faixas
de Serviço e Acesso poderão ser ajardinadas seguindo o padrão de
“calçadas verdes”. As faixas ajardinadas não devem possuir arbustos que
prejudiquem a visão e o caminho do pedestre. Porém, para construir uma
calçada verde, o munícipe deve estar atento à lei 13.646 de 2003 e às
seguintes questões:
I – para receber 1 faixa de ajardinamento, o passeio deverá ter largura
mínima de 2m (dois metros); e para receber 2 faixas de ajardinamento,
largura mínima de 2,5m .
II – as faixas ajardinadas não poderão interferir na faixa livre que
deverá ser contínua e com largura mínima de 1,20m (um metro e vinte
centímetros).
III – As faixas ajardinadas não devem possuir arbustos que prejudiquem
a visão ou com espinhos que possam atrapalhar o caminho do pedestre.
IV – Para facilitar o escoamento das águas em dias chuvosos as faixa
não podem estar muradas.

 P.S – Ainda há muitas calçadas que estão sendo construídas fora do padrão. Vamos ficar atentos.

29.4.14

INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
Elka Porciuncula
As entidades representativas da construção civil estão se organizando para avaliação das inovações tecnológicas procurando estudar, analisar e definir diretrizes para sua utilização e difusão na construção civil brasileira. Isso vem de encontro as crescentes demandas em atender ao desenvolvimento do país, com o aumento criterioso na qualidade do produto oferecido ao mercado.
Sabemos que os efeitos das inovações tecnológicas afetam a cadeia produtiva como um todo, é necessário um comprometimento com ações permanentes de pesquisa e controle, com demonstração de resultados obtidos, e um contínuo aperfeiçoamento de empresas, fornecedores e mão de obra.
A Inovação é palavra chave para a construção civil. Não se admite mais o emprego de práticas antigas e tradicionais, mesmo sabendo que essas são as práticas ainda adotadas pela maioria das empresas do setor, hoje fica claro a necessidade de investir numa mudança dos sistemas construtivos e de novas tecnologias. Isto já é realidade nos países da América do Norte e Europa, alcançando, cada vez mais, níveis maiores de exigência do consumidor, que esta bem informado do que é possível conseguir na construção civil para seu conforto, saúde e segurança. O consumidor brasileiro já está em busca dos diferenciais de economia e qualidades sustentáveis nos imóveis. Recentemente foi apresentada uma pesquisa que revela essa realidade feita pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil.
Na inovação tecnológica a sustentabilidade tem força decisiva, não se aceita mais evoluções que não tenham esse sentido. Isso precisa ser viabilizado com urgência na Indústria da construção brasileira.
No 20º Salão Internacional da Construção - Feicon Batimat, em São Paulo, foram apresentados resultados de uma pesquisa que demostram a percepção dos consumidores sobre inovações tecnológicas em imóveis residenciais. Realizada pela CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da Construção com ajuda do Instituto Sensus, verificou que cerca de 82% dos pesquisados veem de forma positiva os investimentos das construtoras em tecnologias. Esse índice pode chegar ao patamar de 90% se os entrevistados são da faixa de renda mais alta (maior que dez salários mínimos mensais).
Notícia excelente para estimular o setor em investimento em melhores resultados de suas obras, já que o usuário mais atento e exigente esta percebendo e querendo esse avanço na construção civil, mesmo que isso reflita numa mudança do patamar do custo do imóvel.
O que se destacou mais na preferencia dos usuários foi a utilização de sistemas tecnológicos que alcancem uma economia dos recursos renováveis. A racionalização do uso de energia deve ser pensada desde fase inicial do projeto, sendo fator importante a ser cobrado no uso da edificação, outro item citado seria a racionalização do uso das aguas , tanto as servidas como as aguas pluviais no seu armazenamento e utilização. Lembrar também que o item segurança entra nos requisitos solicitados, exigindo alarmes e monitoramento por câmaras.
Demonstrar os benefícios que o uso das tecnologias inovadoras darão num médio e longo prazo é a tarefa que empresários, projetistas e fornecedores têm que que fazer agora. Isso será muito bem reconhecido pelo consumidor brasileiro que esta adquirindo uma consciência ambiental e um compromisso com o futuro das novas gerações. Vale salientar que essa pesquisa foi realizada em diversas faixas orçamentais e mesmo os usuários de baixa renda acredita no retorno de investimentos em edificações com melhor tecnologia construtiva.
Assim fica a motivação de avaliação, pesquisas e ensaios em novas tecnologias viáveis que reduzam os custos de implantação e operacionais dos imóveis de todas as faixas de renda.


Recife, 31/03/2014

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20.6.10

"Carta do Recife"

Instituto de Arquitetos do Brasil divulga a
"Carta do Recife"


Documento foi lido pela presidente do IAB PE, Vitória Andrade, no encerramento
do 19º Congresso Brasileiro de Arquitetos, na noite de 4 de junho

Carta do Recife
Instituto de Arquitetos do Brasil


Os Arquitetos e Urbanistas, reunidos no 19º Congresso Brasileiro de Arquitetos sob o tema Arquitetura em Transição, trazem à sociedade brasileira o compromisso com a construção de um espaço nacional mais harmônico, justo e de qualidade. Reafirmam a importância da arquitetura como manifestação cultural, necessária à emancipação de um povo, instrumento eficaz para o desenvolvimento de cidades republicanas, democráticas e constituintes de cidadania nesse país de múltiplas temporalidades.
O Brasil torna-se, neste século, protagonista político e econômico no cenário internacional. No entanto, em nossas cidades convivem tempos e modos arcaicos, desigualdades e precariedades ao lado de ilhas de alta tecnologia e bem estar.

Os investimentos em curso nas cidades brasileiras, nas preparações para os grandes eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, não podem se perder em obras pontuais, que atendam no futuro apenas a poucos brasileiros. Todo investimento e toda ação no território devem objetivar a redução da pobreza, a coesão social, a qualificação do ambiente e a preservação da memória, matriz de nossa identidade.

As cidades brasileiras são realidades socioeconômicas, culturais e políticas determinantes no processo de desenvolvimento do país, e se articulam em redes, metrópoles e regiões metropolitanas, exigindo novos modelos de planejamento e gestão, compatíveis com essas realidades. A ocupação do espaço produtivo, acelerada em tempos de crescimento econômico, exige a compreensão de processos mundializados e representativos de interesses diversos.
A organização do território é tarefa inadiável, e os arquitetos brasileiros saberão exercer suas tarefas e suas inalienáveis responsabilidades e competências: cabe-nos desenhar hoje o que se quer para o futuro. Cabe a toda a sociedade e ao Estado garantir as condições justas e democráticas de valorização do trabalho de todos os profissionais da construção.
É preciso criar e aprimorar mecanismos que induzam o capital imobiliário a colaborar com a qualidade do espaço habitável do qual ele é um dos agentes produtores.
Propugnamos uma visão nacional de desenvolvimento urbano alicerçada pela idéia de ações integradas de planejamento do território, mobilidade, habitação e saneamento ambiental, refletida na estrutura e nas ações coordenadas de todos os níveis de governo.
A reversão do modelo predatório de desenvolvimento, que implica na mudança de modos de consumo, exigirá dos arquitetos novos meios de projeto e construção sustentáveis com o enfrentamento crítico e propositivo dos desafios do desenvolvimento. Novos modos de educação dos futuros profissionais deverão ser adotados.
Afirmamos que a universalização do direito à Arquitetura depende da qualidade das obras públicas, dos espaços urbanos e dos programas de habitação social. As obras públicas devem ser qualificadas pela adoção generalizada de processos de seleção de projetos e serviços, baseados na qualidade. Os Concursos Públicos de Projetos devem se converter em instrumento de educação para a fruição da Arquitetura e da Urbanidade, através da popularização dessas idéias e do acompanhamento de projetos e obras pela sociedade.
A implantação imediata da Lei de Assistência Técnica, resultado de uma luta de mais de 30 anos, modificará o cenário conturbado de nossas cidades. Enfatizamos a importância da pesquisa aplicada e da popularização das soluções construtivas adequadas às condições de trabalho, ao bem estar da sociedade, às características do ambiente, à cultura, e à redução de custos e desperdícios. Defendemos o encontro com a cidade informal, onde possamos, no exercício da profissão, transformá-la em espaços de uma cidade melhor.
Essas são as tarefas que nos mobilizam no momento de transição para o nosso Conselho de Arquitetura e Urbanismo, instrumento de defesa da sociedade e da garantia do exercício profissional responsável.
É da transição, da tradição e da prospecção do futuro, que surgirão a inovação e a criatividade, ferramentas cotidianas dos arquitetos. É hora, portanto, da retomada da histórica prática da política como ação para o bem comum.
Recife/Olinda, 4 de junho de 2010

5.11.09

SUSTENTABILIDADE EM SANEAMENTO BÁSICO


“Saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico do homem, que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre o seu bem estar físico, mental e social”.

(OMS –Organização Mundial da Saúde)
Constitui um conjunto de ações sobre o meio ambiente físico cujo objetivo é proteger a saúde do homem:
• Abastecimento de água;
• Coleta, tratamento dos esgotos sanitários;
• Coleta, tratamento dos resíduos sólidos;
• Drenagens de águas pluviais e controle de inundações;
• Controle de vetores de doenças transmissíveis.
De acordo com a Lei Orgânica Municipal é competência de cada Município promover melhorias das condições habitacionais e de saneamento. A ausência de integração entre as políticas públicas é responsável pela baixa eficácia das ações de saneamento.
Os gestores municipais têm o compromisso com investimentos para tratamento de esgoto e abastecimento d’água, o desinteresse político e a falta de planejamento resultaram no atual retrato de saneamento básico no país, onde apenas um terço do esgoto produzido é tratado. O restante é despejado em rios, lagoas, praias e mananciais.
Com a criação do Ministério das Cidades e a Lei do Saneamento (Lei 11445/07), foram disponibilizados recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
O Saneamento Básico passou a ser discutido em caráter de urgência, cabe a cada Município junto à empresa escolhida para operar o sistema de saneamento, a qualidade da água e do tratamento de esgoto nas cidades. Os recursos do PAC envolvem R$ 40 bilhões, distribuídos entre a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, a Fundação Nacional de Saúde e o Ministério da Integração Nacional. Recursos estes que estão na pendência de bons Projetos Executivos para serem liberados.
Alguns fatores estão prejudicando o andamento do Programa de Aceleração:
- Projetos mal estruturados (cidade de Tunas, localizada no interior do Rio Grande do Sul, tem menos de 50 mil habitantes e faz parte da lista dos municípios auditados. Em 2006, iniciou um programa para ampliação do sistema público de abastecimento, com recursos do PAC/Funasa. O relatório da Controladoria apontou falhas referentes ao orçamento de projetos, tanto na especificação quanto na quantificação dos materiais);
- Irregularidades em relação às áreas dos empreendimentos (Licenciamento Ambiental e a Titularidade do Terreno);
- Burocratização do sistema de repasse dos recursos do PAC ao empreendedor dos projetos;
- Déficit de engenheiros responsáveis pela análise dos projetos para liberação de valores da Caixa Econômica Federal (CEF) – agente gestor dos recursos.
OBS: Cada obra de Saneamento tem em média seis mil itens e o custo deve ser de acordo com o estabelecido pelo Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices de Construção Civil (SINAPI), realizado pela CEF, conforme regulamento aprovado para projetos da União.
Com esse cenário o Governo tomou algumas medidas para o PAC:
_ Inversão do processo de pagamento (antes o executor do projeto – município, companhia ou estado – fiscalizava a obra e repassava o relatório para a CEF, que após conferir e aprovar a documentação liberava os recursos; Agora, a CEF libera os recursos antes de concluir as análises, se for detectada alguma regularidade, o executor será penalizado na parcela seguinte tendo mais tempo para de adequar às normas federais).
_ A aprovação da Lei 11.578, em 2007, transformando as despesas do programa em obrigatórias para estados e municípios.

Fonte : “Audiência Pública: Desenvolvimento das Obras do PAC. Contratos com a CEF” 9/9/2009

Os projetos para sistemas de tratamento de água, esgotos e efluentes industriais devem seguir às solicitações e normas executivas dos órgãos ambientais.
Devem conter:
Memorial descritivo:
Informações cadastrais
Informações sobre o empreendimento
Informações sobre esgotos sanitários
Parâmetros típicos dos esgotos domésticos
Memorial técnico:
Descrição do sistema de tratamento
Dimensionamento das unidades
Manual de operação
Cronograma e estimativa de custo do sistema:
Equipamentos
Planilha de custo
Cronograma de implantação
Representação Gráfica:
Planta geral
Fluxograma
Desenhos detalhados (plantas e cortes)
O caminho a percorrer para obras de saneamento inicia pelo interesse do Gestor Municipal e a contratação de um Projeto de Engenharia Básico com empresa qualificada para, desta forma, ter acesso a todo processo burocrático e Técnico de análise do investimento e liberação de recursos do PAC.

Elka Porciúncula
Arquiteta

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23.9.09

SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO _ FAZENDAS VERTICAIS


Projetos de construção de fazendas verticais se multiplicam no exterior            


 Projetos de escritórios americanos e europeus prevêem edifícios autossustentáveis, geradores da própria energia e de alimento para seus moradores ou vizinhança
Ana Paula Rocha




A ideia das fazendas verticais, proposta por Dickson Despommier, professor de saúde pública na Universidade Colúmbia, em Nova York, já atraiu a atenção de muitos arquitetos nos Estados Unidos e na Europa nos últimos anos. Recentemente, foi a vez do escritório belga Vincent Callebaut Architectures propor o edifício, ainda não aprovado, Dragonfly Vertical Farm, para a cidade de Nova York.
O empreendimento de 132 pavimentos e 600 metros de altura poderia acomodar 28 setores diferentes para a produção de frutas, vegetais, grãos, carne e leite. Basicamente a mesma função do empreendimento canadense Harvest Green Project, elaborado pelo escritório Romses Architects, e que venceu a competição "The 2030 Challenge" (em tradução literal, "O Desafio de 2030), criada para premiar as melhores soluções e projetos que diminuam a emissão de carbono na atmosfera.
Seja em Nova York ou no Canadá, a fórmula de criação desses arranha-céus é praticamente a mesma: são edifícios em áreas urbanas, que possuem sistemas de geração de energia solar e/ou eólica e andares divididos em diversas produções agrícolas. A geração da energia própria para o funcionamento do prédio e o cultivo de alimentos para os seus moradores ou vizinhança dariam a esses prédios a característica de autossustentáveis.

O projeto Dragonfly Vertical Farm, por exemplo, foi inspirado nas asas de uma libélula e prevê laboratórios de pesquisa e áreas comuns intercalados entre pomares, hortas e salas de produção. Os espaços entre as "asas" possuem sistemas de energia solar que acumulam e mantêm o ar morno dentro da estrutura durante todo o inverno. Já no verão, os jardins verticais exteriores são capazes de filtrar a água da chuva e reutilizá-la nas plantações.
Já o edifício Harvest Green Project possui a mesma diversidade de plantações do Drangonfly Vertical Farm, porém prevê também a construção de espaços abertos para a criação de animais e aves, além de salas para a reprodução de peixes. Ao invés de fachadas convencionais, com pintura, pastilhas ou vidro, o edifício é todo coberto de vegetação rasteira. Para comercializar a produção da fazenda vertical, os arquitetos do escritório Romses Architects projetaram um supermercado aberto ao público no térreo.

Fonte : PINI WEB(8/Julho/2009)


22.9.09

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL



Construção Sustentável:
um poderoso aliado da saúde ambiental do planeta
* Luis Cesar Stano




As construções oferecem um enorme campo para a economia de energia, e talvez as oportunidades mais amplamente reconhecidas de aumento da eficiência energética estejam nos lares e nos locais de trabalho. (Relatório Brundtland, 1987).
Todas as pesquisas, estudos e avaliações quanto à saúde ambiental de nosso planeta chegam inexoravelmente à conclusão, hoje já encarada como indiscutível, de que o grau de deterioração dos ecossistemas da Terra, em grande parte provocado por ações antrópicas, está atingindo níveis que podem colocar em risco a sobrevivência de muitas das espécies vegetais e animais que aqui habitam. Incluindo nós, os seres humanos.
Em um contexto como esse, nenhuma atividade econômica pode prescindir de uma avaliação criteriosa de seus potenciais impactos quanto ao consumo de recursos naturais ou à liberação de poluentes para o meio ambiente, levando em conta todas as etapas de seu ciclo de vida.
Essa preocupação com a eficiência ambiental, ou ecoeficiência, começa a estender-se, cada vez com maior celeridade, a um dos setores mais tradicionais da atividade humana: a construção civil.
Alguns dados relacionados à construção civil permitem consolidar um quadro nítido da grandeza dos impactos negativos que a atividade pode impor ao meio ambiente:
_Mais da metade dos recursos naturais extraídos na América Latina são consumidos na construção civil;

_Os resíduos das construções e demolições no Brasil totalizam cerca de 80 milhões de toneladas por ano;
_A operação de edifícios no Brasil é responsável por 18% do consumo total de energia no país e por 50% do consumo de energia elétrica;
_Os edifícios são responsáveis por 25% das emissões globais de gases de efeito estufa.

A magnitude desses impactos abre, por outro lado, imensas oportunidades de melhoria, uma vez que as principais tecnologias necessárias à melhoria do desempenho ambiental das edificações já se encontram disponíveis hoje em dia, abrangendo todas as etapas do ciclo de vida dos edifícios, desde a concepção e projeto, passando pelos processos de construção e de uso das edificações e chegando até a etapa de demolição.
A fase de ocupação do edifício é merecedora de especial atenção, pois nessa etapa, até mesmo em função de sua longa duração, concentram-se as maiores parcelas de impacto ambiental e de custos.
A concepção adequada do edifício, o uso de materiais isolantes mais eficazes e de técnicas de circulação de ar podem permitir, por exemplo, redução significativa dos impactos ambientais associados à energia necessária para aquecimento/refrigeração;projetos arquitetônicos que viabilizem o melhor aproveitamento da iluminação natural, conjugados ao uso das lâmpadas mais eficientes hoje disponíveis e de sensores de movimento, conduzem à sensível redução na demanda de energia para iluminação; o reaproveitamento das águas servidas ou da chuva pode minimizar a necessidade de captação de água das redes municipais de abastecimento.
Os governos também têm um papel fundamental a desempenhar no engajamento de todos os agentes sociais rumo à maior sustentabilidade da construção civil, por meio de ações como:
_Educação e conscientização dos moradores e ocupantes de prédios residenciais e comerciais no sentido de orientar suas escolhas e comportamentos na direção de produtos, serviços e atitudes mais ecoeficientes;

_Incentivo à melhoria da eficiência energética de prédios novos e já existentes e à introdução de inovações no projeto e operação de edifícios;
_Estabelecimento de códigos, padrões, mecanismos de avaliação e sistemas de rotulagem ambiental para prédios, eletrodomésticos e sistemas de iluminação, considerando inclusive seus ciclos de vida;
_Incentivo à renovação de prédios residenciais e comerciais, com a adoção de tecnologia ambientalmente mais amigáveis.
No mundo todo podem ser encontrados exemplos de ações governamentais voltadas para a melhoria do desempenho ambiental da construção.
No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica criou em 2003 o programa Procel Edifica, que visa a promover condições para o uso eficiente da eletricidade nas edificações, reduzindo os desperdícios de energia, de materiais e os impactos sobre o meio ambiente, por meio de projetos nas áreas de capacitação tecnológica e profissional, inserção do tema conforto ambiental e eficiência energética nos cursos de arquitetura e engenharia, bem como pela disseminação dos conceitos e práticas de eficiência energética das edificações e conforto ambiental entre os profissionais de arquitetura e engenharia e aqueles envolvidos em planejamento urbano.
O Procel Edifica estima que seria possível obter uma melhoria de 30% na eficiência energética de prédios já existentes por meio de reformas e modernizações e de 50% com a introdução de tecnologias mais ecoeficientes no projeto, construção e operação de novos edifícios.

Também a União Européia, com a Diretiva 2002/91/EC, manifestou seu compromisso com a melhoria do desempenho energético das edificações, estabelecendo requisitos tais como:
_Aplicação de estrutura e metodologia para o cálculo do desempenho energético integrado de edificações;

_Requisitos mínimos para o desempenho energético de novas construções e de grandes edificações já existentes submetidas a reformas e renovações de maior porte;
_Certificação energética de edificações.
A certificação por terceira parte de edificações começa de fato a ganhar corpo em todo o mundo, com iniciativas como a Leadership in Energy and Environmental Design – LEED, promovida pelo United States Green Building Council, que concede certificados a prédios que atingem uma determinada pontuação em requisitos distribuídos ao longo de sete categorias: localização sustentável, eficiência no uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, projeto inovador e prioridades regionais.
Os requisitos abordam aspectos tais como escolha do local da construção (proteção de áreas verdes, habitats e recursos naturais; reabilitação de áreas degradadas; possibilidade de deslocamento a pé e uso de transporte público como alternativa ao transporte individual; maximização de áreas não construídas; espaço prioritário para o estacionamento de bicicletas e veículos não poluentes; redução das áreas de solo cobertas e maximização da infiltração da água; redução do uso de água potável e utilização de tecnologias inovadoras para o tratamento das águas servidas; estabelecimento de padrões mínimos de desempenho energético; utilização de fontes renováveis de energia; uso da iluminação natural; implantação de sistemas individuais de medição do consumo de energia; facilidades para coleta e armazenamento de materiais recicláveis; minimização da poluição provocada pela atividade de construção; gestão ambientalmente adequada dos resíduos da construção; utilização de materiais reaproveitados ou reciclados, de materiais disponíveis na região e de madeira certificada; garantia da qualidade ambiental interior das edificações; atendimento a prioridades ambientais específicas de cada região.
O prédio atualmente ocupado pela Universidade Petrobras no Rio de Janeiro, com 52 mil m2 de área construída, foi o primeiro edifício a receber no Brasil a certificação LEED na modalidade Core & Shell. O edifício utiliza revestimento externo que minimiza a necessidade de uso de sistemas de condicionamento do ar interior, promove o aproveitamento controlado da iluminação natural, a coleta da água da chuva e o reuso da água servida em pias e lavatórios, reduzindo em 40% a necessidade de captação de água da rede pública.
Estima-se que um edifício dotado dessas facilidades custe entre 7% e 10% mais caro que uma construção comum. O investimento adicional, porém, é amortizado em prazo curto pela redução dos dispêndios operacionais da edificação, sem contar os inegáveis benefícios para o meio ambiente.
Se o consumo de energia nas edificações continuar a crescer às taxas atuais, elas estarão consumindo em 2050 quase tanta energia quanto a indústria, a manufatura e a mobilidade juntas. (WBCSD, Energy Efficiency in Buildings, 2006).


*Luis Cesar Stano é Gerente de Desempenho em SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) da Petrobras.
fonte : ( www.plantaonews.com.br )

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